Pequeno Dicionário de Criptomoedas
Pequeno Dicionário de Criptomoedas
Muito provavelmente você já ouviu falar ou conhece termos como Bitcoin e Criptomoeda, e talvez até mesmo já teve contato com coisas como NFT, Dogecoin e algoritmos. Esses termos fazem parte do mundo das criptomoedas, mas não são os únicos; na verdade, as tecnologias associadas às cripto são muito variadas, e o jargão utilizado por investidores e profisisonais do ramo inclui termos advindos de diversas áreas, da tecnologia às finanças, economia e programação de computadores, entre outros.
Neste artigo trago um pequeno dicionário de termos associados às criptomoedas (um glossário conciso), com explanações breves sobre algumas dezenas de conceitos que, em maior ou menor grau, todo investidor ou entusiasta dessa área precisa conhecer.
Conforme as tecnologias avançam, novos termos são cunhados, e sendo assim, esse glossário será atualizado de tempos em tempos para se manter o mais completo possível. Caso você não encontre algum termo ao pesquisar aqui, deixe nos comentários no final doa artigo que, assm que possível, ele será incorporado à lista.
Vamos lá!
Glossário de Criptomoedas
Algoritmo
Algoritmo é uma sequência definida de instruções ou regras usada para resolver um problema ou executar uma tarefa. No mundo das criptomoedas, algoritmos são utilizados em diferentes processos, como criptografia, validação de transações, geração de chaves e mecanismos de consenso.
O Bitcoin, por exemplo, utiliza algoritmos criptográficos para proteger dados e garantir a integridade das transações registradas na blockchain.
Algoritmo de Consenso
Conjunto de regras utilizado por uma rede distribuída para fazer com que seus participantes concordem sobre o estado válido das informações registradas. Em uma blockchain, ele ajuda a determinar quais transações são legítimas e quais blocos podem ser adicionados à cadeia.
Entre os mecanismos de consenso mais conhecidos estão a Prova de Trabalho (Proof of Work), utilizada pelo Bitcoin, e a Prova de Participação (Proof of Stake), empregada por diversas outras redes.
Altcoin
Combinação das palavras alternative (alternativa) e coin (moeda), ou seja, moeda alternativa. Termo usado para descrever todas as criptomoedas que não sejam o Bitcoin, como por exemplo Thether, Tron e Solana.
Assinatura Digital
Mecanismo criptográfico utilizado para comprovar a autenticidade e a integridade de uma informação. Nas criptomoedas, ela permite demonstrar que uma transação foi autorizada pelo detentor da chave privada correspondente, sem revelar essa chave.
A assinatura é gerada matematicamente a partir da chave privada e pode ser verificada por outros participantes da rede utilizando informações públicas associadas à transação.
Assinatura em Anel
As assinaturas em anel (ring signatures) são uma técnica criptográfica que permite ocultar qual participante de um determinado grupo realmente produziu uma assinatura digital. Para quem verifica a assinatura, é possível confirmar que ela foi criada por alguém pertencente ao grupo, mas não identificar diretamente quem foi o responsável.
A criptomoeda Monero utiliza assinaturas em anel como parte de seus mecanismos de privacidade, misturando a entrada verdadeira de uma transação com outras entradas, o que dificulta determinar qual delas corresponde ao remetente real.
Ataque de 51%
Um ataque de 51% ocorre quando uma pessoa ou grupo passa a controlar a maior parte do poder necessário para participar do mecanismo de consenso de determinada blockchain. Em redes baseadas em Prova de Trabalho, isso normalmente significa controlar mais da metade do poder computacional de mineração.
Esse domínio pode permitir ao atacante reorganizar transações recentes, impedir temporariamente algumas transações e realizar determinados tipos de gasto duplo. Entretanto, um ataque desse tipo não permite simplesmente criar moedas arbitrariamente nem movimentar ativos protegidos pelas chaves privadas de outros usuários.
Ativo Digital
Qualquer bem, direito ou recurso que exista ou seja representado em formato digital e que possua algum tipo de valor ou utilidade.
No contexto das blockchains, o termo pode incluir criptomoedas, tokens, NFTs e outros registros digitais capazes de representar valor, propriedade, direitos de acesso ou participação em determinado sistema.
Bitcoin
Bitcoin (BTC) é uma moeda digital descentralizada criada a partir da proposta publicada em 2008 por Satoshi Nakamoto. A rede entrou em funcionamento em 2009 e permite transferir valores diretamente entre participantes por meio de uma rede ponto a ponto (P2P), sem depender necessariamente de bancos ou de uma autoridade central.
As transações são registradas em uma blockchain e validadas por participantes da rede por meio de um mecanismo baseado em Prova de Trabalho (Proof of Work). A quantidade máxima de bitcoins que pode existir é limitada pelo protocolo a 21 milhões de unidades.
Bitcoin Cash
Bitcoin Cash (BCH) é uma criptomoeda criada em 2017 a partir de uma divisão (hard fork) da blockchain do Bitcoin. A separação ocorreu após divergências entre participantes da comunidade sobre como aumentar a capacidade da rede para processar um número maior de transações.
Uma das principais diferenças em relação ao Bitcoin é o uso de blocos com maior capacidade, permitindo registrar mais transações em cada bloco. O Bitcoin Cash mantém várias características do Bitcoin original, como o limite máximo de 21 milhões de moedas e o mecanismo de consenso baseado em Prova de Trabalho (Proof of Work).
Bitcoin Halving
Evento que ocorre quando a oferta de novos bitcoins é cortada pela metade (do inglês half = metade). Cada evento reduz a taxa de inflação, criando uma pressão de alta no preço do Bitcoin. As recompensas por bloco do Bitcoin são reduzidas pela metade após a criação de 210.000 blocos, o que leva cerca de quatro anos. O próximo halving ocorrerá em 2028. O halving final está programado para 2140, quando o número de bitcoins atingirá sua oferta máxima de 21 milhões.
Blockchain
Tecnologia de registro distribuído na qual as informações são organizadas em blocos conectados entre si por mecanismos criptográficos. Cada bloco normalmente contém um conjunto de transações ou outros dados e uma referência ao bloco anterior, formando uma cadeia de registros.
As cópias desse registro podem ser mantidas por diversos computadores de uma rede, enquanto mecanismos de consenso determinam quais informações são aceitas como válidas. Essa estrutura permite manter um histórico compartilhado sem depender necessariamente de uma única autoridade central.
Bloco
Estrutura de dados utilizada por uma blockchain para agrupar e registrar transações e outras informações. Cada novo bloco validado é acrescentado à sequência de blocos anteriores, formando a cadeia que dá origem ao nome blockchain (“cadeia de blocos”).
Em geral, um bloco contém as transações registradas em determinado período, informações de identificação e uma referência criptográfica ao bloco anterior. Essa ligação contribui para preservar a ordem e a integridade dos registros armazenados na blockchain.
BNB
Criptomoeda nativa do ecossistema BNB Chain. Criada originalmente pela Binance (uma corretora de criptomoedas) em 2017, passou posteriormente a desempenhar funções mais amplas dentro das redes que compõem a BNB Chain.
O BNB é utilizado para pagar taxas de transação, participar da governança e realizar diferentes operações em aplicações descentralizadas. Na BNB Smart Chain, também funciona como a moeda utilizada para pagar pela execução de transações e contratos inteligentes.
Chave Privada
Uma chave privada é um código criptográfico secreto que permite controlar e movimentar criptomoedas associadas a determinado endereço em uma blockchain. Ela é usada para criar assinaturas digitais que comprovam que uma transação foi autorizada pelo proprietário dos ativos, sem que seja necessário revelar a própria chave.
A chave privada deve ser mantida em segurança e nunca compartilhada. Quem obtém acesso a ela pode, em geral, controlar os ativos correspondentes. Caso a chave e os meios de recuperação sejam perdidos, o acesso às criptomoedas pode se tornar permanentemente impossível.
Computação Distribuída
Modelo no qual diferentes computadores conectados por uma rede trabalham em conjunto para executar tarefas, processar informações ou manter um sistema em funcionamento.
Nas criptomoedas e blockchains, esse conceito permite que diferentes computadores mantenham cópias de registros, validem transações e participem do funcionamento da rede. Dessa forma, o processamento e o armazenamento das informações podem ser distribuídos entre diversos participantes em vez de depender de uma única máquina ou servidor central.
Corretora
Ver Exchange.
Cripto
Ver Criptomoeda
Criptomoeda
Forma de dinheiro digital, ou moeda virtual, desenvolvido para ser seguro e anônimo. Associadas à Internet, as criptomoedas utilizam criptografia forte para gerenciar transferências de valores e pagamentos. Não são controladas por bancos, governos ou outras instituições.
Exemplos de criptomoedas incluem Bitcoin, Ethereum, Monero, Solana e outras.

Carteira
Carteira de Criptomoedas. Assim como uma carteira tradicional é usada para guardar seu dinheiro e cartões de crédito, uma carteira de criptomoedas gerencia ou armazena as chaves criptográficas que permitem controlar os ativos registrados na blockchain. As chaves privadas são o único vínculo entre você e suas criptomoedas; se você perder o acesso às suas chaves privadas ou credenciais de recuperação, poderá perder permanentemente o acesso aos seus ativos em cripto.
As carteiras vêm em muitos formatos, desde aplicativos simples até aquelas com proteção de segurança complexa. Os principais tipos são carteiras em papel (paper wallets – anotações feitas à mão), carteiras físicas (hardware wallets) e carteiras online (apps).
dApps
Aplicativos descentralizados (decentralized Applications ou dApps) são programas que utilizam uma blockchain ou outra rede descentralizada para executar pelo menos parte de suas funções, em vez de depender exclusivamente de servidores controlados por uma única organização.
Muitos dApps utilizam contratos inteligentes (smart contracts) para executar automaticamente suas regras. Eles podem ser empregados em áreas como finanças descentralizadas, jogos, mercados de tokens e sistemas de votação.
DAO
Uma organização autônoma descentralizada (DAO) é uma organização sem uma autoridade administrativa central e cujos membros compartilham um objetivo comum. Elas foram popularizadas pela tecnologia blockchain e são usadas para tomar decisões com uma abordagem de gestão de baixo para cima (bottom-up).
DeFi
Finanças descentralizadas (Decentralized Finances ou DeFi) são serviços e aplicações financeiras construídos principalmente sobre redes blockchain. Seu objetivo é permitir atividades como empréstimos, trocas de ativos, pagamentos e obtenção de rendimentos sem depender necessariamente de intermediários financeiros tradicionais, como bancos ou corretoras.
Grande parte das aplicações DeFi utiliza contratos inteligentes para executar automaticamente suas regras. Os usuários normalmente interagem com esses serviços por meio de carteiras de criptomoedas e aplicativos descentralizados (dApps).
Descentralização
Descentralização é o processo pelo qual as atividades de um grupo são transferidas para fora de uma autoridade central. No mundo cripto, isso se refere à transferência de controle e tomada de decisão para uma rede distribuída de computadores. O objetivo é reduzir o nível de confiança exigido dos participantes individuais.
Destinatário
Pessoa, entidade ou endereço que recebe uma transferência de criptomoedas, tokens ou outros ativos digitais.
Em uma transação de criptomoedas, o destinatário geralmente é identificado por um endereço associado à sua carteira. Dependendo da blockchain utilizada, informações sobre esse endereço e os valores recebidos podem ficar publicamente registradas, embora algumas redes utilizem mecanismos adicionais para preservar a privacidade.
DEX
Uma exchange descentralizada (Decentralized Exchange ou DEX) é uma plataforma que permite negociar criptomoedas e tokens por meio de uma blockchain, sem que uma empresa central necessariamente mantenha a custódia dos ativos dos usuários.
Em muitas DEXs, as negociações são realizadas por contratos inteligentes. Alguns sistemas utilizam livros de ordens, enquanto outros empregam reservas de ativos chamadas liquidity pools (pools de liquidez), nas quais algoritmos determinam os preços e possibilitam as trocas.
Dogecoin
Dogecoin (sigla DOGE) é uma criptomoeda criada em 2013 pelos desenvolvedores Billy Markus e Jackson Palmer. Originalmente concebida como uma brincadeira inspirada no meme Doge, que utiliza a imagem de um cão da raça Shiba Inu, a moeda acabou formando uma grande comunidade e passou a ser utilizada para pagamentos, doações e transferências de valores pela Internet.
Essa criptomoeda possui sua própria blockchain e utiliza um mecanismo de consenso baseado em Prova de Trabalho (Proof of Work), apresentando características técnicas derivadas de projetos anteriores, principalmente Litecoin e Luckycoin.
Endereço Furtivo
Os endereços furtivos (stealth addresses) são endereços únicos e temporários gerados para cada transação com o objetivo de dificultar a identificação do destinatário de uma transferência.
Na Monero, o remetente utiliza informações do endereço público do destinatário para gerar um endereço exclusivo para aquela transação. Os fundos podem ser identificados e movimentados pelo destinatário, mas observadores da blockchain não conseguem relacionar facilmente o endereço registrado na transação ao endereço público divulgado por ele.
Ethereum
Plataforma blockchain descentralizada e programável lançada em 2015. Diferentemente de uma blockchain voltada principalmente à transferência de uma moeda digital, como o Bitcoin, o Ethereum foi projetado também para executar programas conhecidos como contratos inteligentes (smart contracts).
Esses contratos permitem criar aplicações descentralizadas (dApps), tokens e diferentes serviços baseados em blockchain. A criptomoeda nativa da rede é o Ether (ETH), utilizado para pagar taxas de transação e participar da segurança da rede por meio de staking. Desde 2022, o Ethereum utiliza um mecanismo de consenso baseado em Prova de Participação (Proof of Stake).
Exchange
Uma exchange é uma plataforma (corretora) que permite comprar, vender, permutar e negociar ativos digitais. Essas corretoras geralmente aceitam pagamentos com cartão de crédito, transferências bancárias ou outros depósitos bancários. Elas tendem a funcionar de forma semelhante a plataformas de corretoras online, fornecendo as ferramentas necessárias para comprar e vender moedas digitais e tokens, como Bitcoin, Ethereum e XRP.
Faucet
Um faucet (literalmente, “torneira”) é um site, aplicativo ou serviço que distribui pequenas quantidades de criptomoedas gratuitamente aos usuários, geralmente em troca da realização de alguma tarefa simples, como resolver um CAPTCHA, assistir a anúncios ou utilizar determinado serviço.
Os primeiros faucets foram utilizados principalmente como forma de divulgar criptomoedas e permitir que novos usuários experimentassem transações sem precisar comprar moedas previamente. Atualmente, também são comuns em redes de teste (testnets), nas quais distribuem tokens sem valor comercial usados para testar aplicações e contratos inteligentes.
Fork (Bifurcação)
Uma grande mudança no protocolo da blockchain que divide um protocolo de software existente em duas versões coexistentes é chamada de fork. Eles ocorrem com mais frequência porque os desenvolvedores modificam o código-fonte para adicionar novos recursos, corrigir vulnerabilidades ou alterar as regras fundamentais de operação. Às vezes, eles criam uma moeda totalmente nova. Os forks do Bitcoin incluem Bitcoin Cash, SegWit e Taproot.
Gas Fees (Taxas de Gás)
Taxas de gás é como são chamadas as taxas de transação na rede blockchain do Ethereum. Todos os usuários do Ethereum devem pagar uma taxa de gás para compensar os validadores que verificam cada transação para manter a rede segura. As taxas de gás variam com base no valor atual do Ether em dólares americanos e no quão movimentada a rede está.
Gasto Duplo (Problema)
Gasto duplo (double spending) é a tentativa de utilizar a mesma unidade de moeda digital em duas transações diferentes. Esse problema é particularmente importante em sistemas digitais, pois informações eletrônicas podem, em princípio, ser copiadas.
As criptomoedas baseadas em blockchain utilizam mecanismos de consenso, validação de transações e registros compartilhados para determinar qual operação é válida e impedir que os mesmos fundos sejam gastos mais de uma vez.
Hash Criptográfico
Valor de tamanho fixo produzido por uma função matemática a partir de uma determinada quantidade de dados. Mesmo uma pequena alteração nos dados de entrada normalmente produz um resultado bastante diferente.
Em sistemas blockchain, hashes são usados para identificar blocos e transações, verificar a integridade dos dados e conectar criptograficamente os blocos da cadeia. Uma função hash é projetada para tornar extremamente difícil reconstruir os dados originais apenas a partir do resultado obtido.
Hashrate (Taxa de Hash)
O hashrate mede quanta força computacional está sendo usada por um tipo específico de blockchain (por exemplo, a rede Bitcoin) para processar transações. Para redes de prova de trabalho (proof-of-work), é uma medida importante de quão protegida uma rede pode estar contra hackers. Quanto maior o hashrate, mais difícil e custoso é para alguém atacar a rede. Uma queda repentina no hashrate pode desacelerar o tempo das transações e reduzir a segurança da rede.
HODL
HODL é uma expressão utilizada no mundo das criptomoedas para descrever a estratégia de manter um ativo por um período prolongado, mesmo durante fortes oscilações de preço. O termo surgiu em 2013 a partir de um erro de digitação da palavra inglesa hold (“manter”) em uma publicação de um usuário de um fórum sobre Bitcoin.
Com o tempo, HODL tornou-se parte da cultura das criptomoedas e passou a representar a decisão de não vender os ativos em resposta às flutuações de curto prazo do mercado.
ICO
Oferta Inicial de Moedas (Initial Coin Offering ou ICO) é uma forma de financiamento na qual um projeto oferece novos tokens a investidores ou participantes em troca de criptomoedas ou outros recursos.
As ICOs tornaram-se especialmente populares a partir de 2017 como meio de financiar projetos relacionados à blockchain. Diferentemente de uma oferta pública de ações, a aquisição de um token em uma ICO não significa necessariamente adquirir participação societária na organização responsável pelo projeto. As características e os direitos associados aos tokens dependem de cada emissão e da legislação aplicável.
IOTA
Plataforma de registro distribuído criada em 2015 e voltada para aplicações descentralizadas, ativos digitais e integração de sistemas e serviços. O projeto passou por diversas mudanças técnicas desde sua criação.
Em maio de 2025, a rede principal foi atualizada para a arquitetura conhecida como IOTA Rebased, tornando-se uma blockchain de primeira camada programável, baseada na linguagem Move e em um mecanismo de consenso com Prova de Participação Delegada (Delegated Proof of Stake). O token IOTA é utilizado para pagamento de taxas, staking e outras operações dentro da rede.
Livro-Razão
Um livro-razão (ledger) é um registro organizado de transações financeiras. Nas criptomoedas, o termo geralmente se refere ao registro digital que mantém o histórico das transações realizadas em uma rede.
Em uma blockchain, esse livro-razão é distribuído entre diversos computadores participantes da rede. Cada participante pode manter uma cópia dos registros, enquanto mecanismos criptográficos e de consenso ajudam a garantir sua integridade. Dessa forma, não é necessário que uma única instituição central mantenha e controle todo o histórico das transações.
Marketplace
Plataforma que reúne compradores e vendedores para negociar produtos, serviços ou ativos. Em vez de vender necessariamente seus próprios produtos, a plataforma funciona como um ambiente no qual diferentes participantes realizam transações.
No universo das criptomoedas e blockchains, existem marketplaces destinados à negociação de ativos digitais, como tokens e NFTs. Quando construídos sobre contratos inteligentes, esses mercados também podem permitir negociações diretamente entre usuários, com diferentes graus de descentralização.
Memecoin
Uma memecoin é uma criptomoeda criada ou promovida principalmente em torno de um meme, personagem, piada ou fenômeno da cultura da Internet. Diferentemente de projetos desenvolvidos inicialmente para solucionar um problema técnico específico, as memecoins costumam ganhar popularidade por meio de suas comunidades, redes sociais e tendências online.
A Dogecoin é um dos exemplos mais conhecidos e surgiu em 2013 inspirada no meme Doge. O sucesso desse tipo de criptomoeda levou posteriormente ao surgimento de muitos outros projetos semelhantes.
Mineração
Processo para criar novas unidades de uma moeda digital específica e colocá-las em circulação. O processo envolve computadores potentes resolvendo enigmas matemáticos complexos, uma rede descentralizada de computadores para validar as soluções de transações e o registro dessas transações em um livro de registro digital público (a blockchain). Os proprietários dos primeiros computadores a verificar a transação são recompensados com essa moeda digital em questão.
Moeda Digital
Forma de dinheiro ou representação de valor que existe e é utilizada em formato eletrônico, sem necessidade de uma versão física correspondente para realizar transações.
O termo abrange diferentes tipos de ativos e sistemas monetários, incluindo valores mantidos em contas bancárias, moedas virtuais, criptomoedas e moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs). Portanto, toda criptomoeda é uma forma de moeda digital, mas nem toda moeda digital é uma criptomoeda, pois muitas delas são emitidas e controladas por instituições centralizadas e não utilizam blockchain.
Um exemplo simples é o real (R$) mantido em uma conta bancária. Quando alguém possui R$ 1.000 em uma conta corrente e faz um PIX, esse valor é movimentado digitalmente, mas não é uma criptomoeda. Ele continua sendo real, moeda fiduciária emitida pelo Estado brasileiro e operada dentro do sistema financeiro tradicional.
Moeda Fiduciária
Moeda fiduciária, também chamada de moeda fiat, é uma moeda emitida por um governo ou autoridade monetária e aceita como meio de pagamento principalmente por força da legislação, da confiança no emissor e de sua utilização pela sociedade.
O real brasileiro, o dólar dos Estados Unidos e o euro são exemplos de moedas fiduciárias. Diferentemente de muitas criptomoedas, sua emissão e política monetária são administradas por autoridades centrais, como bancos centrais.
Moeda Virtual
Moeda virtual é uma representação digital de valor que pode ser utilizada como meio de troca dentro de determinado sistema ou comunidade. Ela existe exclusivamente em formato eletrônico e pode ou não ser convertida em moeda fiduciária.
O conceito é mais amplo que o de criptomoeda. Créditos utilizados em jogos eletrônicos, moedas de plataformas digitais e criptomoedas podem ser considerados formas de moeda virtual em determinados contextos. Entretanto, nem toda moeda virtual utiliza blockchain, criptografia ou uma rede descentralizada.
Monero
Monero (XMR) é uma criptomoeda lançada em 2014 com foco em privacidade e confidencialidade das transações. Diferentemente de blockchains transparentes, como a do Bitcoin, a rede Monero utiliza técnicas criptográficas para ocultar informações sobre remetentes, destinatários e valores transferidos.
Entre as tecnologias empregadas estão endereços furtivos (stealth addresses), assinaturas em anel (ring signatures) e RingCT, que dificultam o rastreamento das transações e a associação entre endereços e identidades reais.
NFT
Um token não fungível, ou NFT (Non-Fungible Token), é um ativo digital exclusivo construído em uma blockchain. Isso significa que você possui um item exclusivo que não pode ser substituído por outro item exatamente igual. A maioria dos NFTs roda na blockchain do Ethereum e eles podem ser qualquer coisa digital, como vídeo, texto ou música. Se você pensar em NFTs como arte física, sabe que existe apenas uma Mona Lisa, e trocá-la por A Noite Estrelada não significa que você tem uma versão de Mona Lisa.
Da mesma forma, você pode possuir uma impressão da Mona Lisa, mas isso não significa que você é dono da original.

Nós
Nós são pontos de conexão na rede descentralizada do Bitcoin que monitoram constantemente a blockchain e garantem que novos blocos de transações sejam verificados, sigam o protocolo da blockchain e sejam documentados no livro-razão (ledger).
Oráculo
No universo das criptomoedas, um oráculo é um intermediário que transmite dados físicos do mundo real para a blockchain. Ele recupera e verifica dados externos. Isso representa uma ameaça à promessa de imutabilidade dos dados na blockchain. Os dados só se tornam imutáveis depois de registrados na blockchain, o que significa que o usuário deve confiar que o que foi inserido é, de fato, preciso.
Polkadot
Plataforma blockchain criada para permitir a comunicação e a interoperabilidade entre diferentes redes blockchain. Sua arquitetura possibilita que redes especializadas operem de forma conectada e compartilhem determinados recursos de segurança e comunicação.
A criptomoeda nativa da rede é o DOT, utilizada em funções como governança, participação no mecanismo de consenso e outras operações do ecossistema Polkadot.
Proof-of-Stake
A prova de participação (Proof-of-Stake ou PoS) é um mecanismo de consenso em cripto para processar transações e criar novos blocos em uma blockchain. Um mecanismo de consenso é um método para validar entradas em um banco de dados distribuído e manter esse banco de dados (ou blockchain) seguro. Os proprietários de moedas nessa blockchain colocam suas moedas em garantia (stake) para ter a oportunidade de validar blocos.
Proof-of-Work
A prova de trabalho (Proof-of-Work ou PoW) é um mecanismo de consenso descentralizado que exige que os membros da rede se esforcem para resolver um quebra-cabeça matemático, protegendo a blockchain ao verificar os dados de uma transação por meio de hashes (uma longa sequência de números). Ao passar um determinado conjunto de dados por uma função de hash, ele sempre gerará apenas um único hash. Assim que um hash válido é encontrado, ele é transmitido para a rede, e o bloco é adicionado à blockchain.
Rede P2P
Uma rede ponto a ponto (peer-to-peer ou P2P) é uma rede na qual os computadores participantes podem se comunicar diretamente entre si, sem depender obrigatoriamente de um servidor central para coordenar todas as operações.
Nas criptomoedas, redes P2P permitem que participantes distribuídos compartilhem transações, blocos e outras informações necessárias ao funcionamento da blockchain. O Bitcoin utiliza esse modelo para distribuir informações entre os computadores que executam seu protocolo.
Remetente
Pessoa, entidade ou endereço que inicia o envio de criptomoedas, tokens ou outros ativos digitais para um destinatário.
Para autorizar uma transação, o remetente normalmente utiliza sua chave privada para produzir uma assinatura digital. Essa assinatura permite à rede verificar que a operação foi autorizada por quem possui controle sobre os ativos, sem que a chave privada precise ser revelada.
RingCT
Abreviação de Ring Confidential Transactions (“Transações Confidenciais em Anel”), é uma tecnologia de privacidade utilizada pela criptomoeda Monero para ocultar os valores envolvidos nas transações.
O mecanismo permite que os participantes da rede verifiquem criptograficamente que uma transação é válida — incluindo que não foram criadas moedas indevidamente — sem tornar público o valor transferido. Em conjunto com outras tecnologias, como assinaturas em anel e endereços furtivos, o RingCT contribui para ocultar remetente, destinatário e valor das transações na rede Monero.
Satoshi
Satoshi, ou sat, é a menor unidade em que um bitcoin pode ser dividido no protocolo Bitcoin. Um bitcoin corresponde a 100 milhões de satoshis, de modo que um satoshi equivale a 0,00000001 BTC.
O nome é uma homenagem a Satoshi Nakamoto, pseudônimo utilizado pelo criador ou grupo de criadores do Bitcoin. A existência dessa unidade permite realizar pagamentos e expressar valores muito menores do que um bitcoin inteiro.
Satoshi Nakamoto
Satoshi Nakamoto é o pseudônimo utilizado pela pessoa ou grupo responsável pela criação do Bitcoin. Em 2008, Nakamoto publicou o documento Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System, no qual descreveu um sistema de dinheiro eletrônico descentralizado baseado em uma rede ponto a ponto e em técnicas criptográficas.
O software do Bitcoin foi lançado no ano seguinte, e Nakamoto participou de seu desenvolvimento inicial antes de gradualmente deixar o projeto. Sua verdadeira identidade permanece desconhecida, apesar das diversas investigações e especulações surgidas desde então.
Silk Road
Silk Road foi um mercado online clandestino que funcionou na chamada dark web entre 2011 e 2013. O site podia ser acessado por meio da rede Tor e ficou conhecido principalmente pela comercialização ilegal de drogas e outros produtos e serviços proibidos.
O Bitcoin era utilizado como meio de pagamento no mercado, o que contribuiu para associar a criptomoeda, nos seus primeiros anos, a transações realizadas em mercados ilegais. A plataforma foi encerrada pelas autoridades dos Estados Unidos em 2013 e seu operador, Ross Ulbricht, foi preso naquele ano.
Smart Contracts (Contratos Inteligentes)
Um contrato inteligente é um contrato autoexecutável com os termos do acordo entre comprador e vendedor escritos diretamente em linhas de código. O código e os acordos existem em uma rede blockchain. O código controla a execução, e as transações são rastreáveis e irreversíveis. Contratos inteligentes permitem que acordos confiáveis sejam realizados entre partes anônimas sem uma autoridade central.
Smart Token (Token Inteligente)
Um smart token (“token inteligente”) é um token digital que, além de representar ou transferir valor, incorpora regras programáveis que determinam como ele pode ser utilizado ou movimentado. Essa programação normalmente é implementada por meio de contratos inteligentes (smart contracts) executados em uma blockchain.
Dependendo de sua implementação, um smart token pode incluir regras para autorizar transações, restringir transferências ou executar determinadas ações automaticamente quando condições previamente estabelecidas forem satisfeitas.
Solana
Plataforma blockchain de primeira camada (Layer 1) voltada à execução de aplicações descentralizadas, contratos inteligentes e transferência de ativos digitais. Sua criptomoeda nativa é o SOL, utilizada para pagar taxas de transação e participar do funcionamento e da segurança da rede por meio de staking.
A Solana utiliza Prova de Participação (Proof of Stake) em conjunto com uma tecnologia chamada Prova de História (Proof of History), que fornece uma referência temporal para ajudar a organizar os eventos registrados pela rede. Sua arquitetura foi projetada para processar um grande número de transações com baixa latência.
Stablecoin
Stablecoin é um tipo de criptomoeda cujo valor está atrelado a outra moeda, commodity ou instrumento financeiro. Algumas stablecoins são pareadas ao dólar americano ou ao preço do ouro. Elas buscam a estabilidade de preços mantendo ativos de reserva como garantia ou por meio de fórmulas algorítmicas.

Staking
Processo de manter ou bloquear criptomoedas em uma rede que utiliza mecanismos de consenso baseados em Prova de Participação (Proof of Stake), contribuindo para a validação de transações e a segurança da blockchain.
Dependendo da rede, os participantes podem atuar diretamente como validadores ou delegar seus ativos a outros validadores. Em troca da participação no funcionamento da rede, podem receber recompensas em criptomoedas. As regras, rendimentos e riscos do staking variam entre diferentes blockchains e serviços.
Testnet
Rede de testes criada para experimentar recursos, aplicações, contratos inteligentes e transações sem utilizar os ativos de uma blockchain principal, chamada de mainnet.
As moedas ou tokens utilizados em uma testnet normalmente não possuem valor comercial e podem ser obtidos por meio de serviços conhecidos como faucets. Desenvolvedores utilizam essas redes para testar aplicações e identificar problemas antes de colocá-las em funcionamento na rede principal.
Token
Unidade digital criada e registrada em uma blockchain. Diferentemente de uma criptomoeda que possui sua própria blockchain, como Bitcoin ou Ether, muitos tokens são emitidos sobre uma blockchain já existente por meio de contratos inteligentes.
Tokens podem representar diferentes tipos de ativos ou direitos, como acesso a serviços, participação em sistemas de governança, ativos financeiros, moedas estáveis (stablecoins) ou itens digitais colecionáveis. Suas características dependem das regras definidas pelo projeto que os criou.
Transação
Operação registrada em uma blockchain que transfere criptomoedas ou tokens entre endereços ou executa alguma ação prevista pela rede, como a interação com um contrato inteligente.
Quando uma transação é enviada, ela normalmente precisa ser verificada e incluída em um bloco de acordo com as regras do protocolo. Depois de confirmada pela rede, passa a integrar o histórico registrado na blockchain. Dependendo da rede utilizada, o usuário também pode precisar pagar uma taxa de transação.
TRON
Plataforma blockchain criada para executar aplicações descentralizadas, contratos inteligentes e transferências de ativos digitais. Sua criptomoeda nativa é o TRX, também chamada de TRONIX.
O TRX pode ser utilizado para pagar recursos e taxas da rede, realizar staking e participar da escolha dos chamados Super Representantes, responsáveis pela produção de blocos e pela validação das transações. A plataforma também permite a emissão de tokens por meio de padrões como TRC-10, TRC-20 e TRC-721.
TRX
Ver TRON.
Wallet
Ver carteira.
WEB3
Também chamada de Web 3.0, a Web3 é a terceira geração da World Wide Web, o principal sistema de recuperação de informações da internet. A Web3 é um trabalho em andamento e está focada na descentralização, abertura e maior usabilidade por meio de tecnologias como a blockchain ou aplicativos baseados em redes ponto a ponto (peer-to-peer).
White Paper
Um white paper é um documento informativo publicado por uma empresa para promover ou destacar os recursos de uma solução, produto ou serviço que ela oferece ou planeja oferecer. No mundo cripto, um white paper define os objetivos, a funcionalidade e os detalhes técnicos de um projeto. Os white papers são usados para atrair usuários ou investidores para comprar uma moeda específica, mas geralmente contêm uma grande quantidade de jargão técnico.
XRP
Ativo digital nativo do XRP Ledger (XRPL), uma rede descentralizada desenvolvida para pagamentos e transferências de valores. Ele pode ser utilizado diretamente como meio de transferência e também como ativo intermediário na conversão entre diferentes moedas ou outros ativos registrados na rede.
Diferentemente do Bitcoin, o XRP Ledger não utiliza mineração nem Prova de Trabalho. As transações são confirmadas por uma rede de validadores que utiliza o XRP Ledger Consensus Protocol para chegar a um acordo sobre o estado do livro-razão.
XRP Ledger
O XRP Ledger (XRPL) é uma blockchain pública e descentralizada criada para registrar e processar pagamentos, transferências de ativos e outras operações financeiras. Sua moeda nativa é o XRP, utilizado para movimentar valor dentro da rede e pagar pequenas taxas de transação.
Diferentemente do Bitcoin, o XRP Ledger não utiliza mineração nem Prova de Trabalho (Proof of Work). As transações são validadas por uma rede de participantes que utiliza um mecanismo próprio de consenso, permitindo confirmar operações em poucos segundos. A rede também oferece recursos nativos para emissão de tokens, negociação de ativos e funcionamento de uma exchange descentralizada (DEX).
Referências
- Blockchain Learning Portal. https://www.blockchain.com/pt/learning-portal
- Yano, M.; Dai, C.; Masuda, K; Kishimoto, Y. Blockchain and Crypto Currency: Building a High Quality Marketplace for Crypto Data. Springer 2020. Acesso livre em https://link.springer.com/content/pdf/10.1007/978-981-15-3376-1.pdf
- Kang et al. Bitcoin as a financial asset: a survey. 2025, Springer
- Ramachandran, M. Blockchain Engineering: Secure, Sustainable Frameworks for Healthcare Applications. 2025 Springer