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Colecionismo

Vexilologia: Estudo de Bandeiras, Estandartes e Insígnias

Vexilologia

Vamos falar hoje sobre um assunto um pouco mais exótico, ou ao menos não tão comum, mas que ainda assim bastante curioso, interessante e com aplicações práticas importantes. Se você acompanha campeonatos de esportes internacionais, como a Copa do Mundo de Futebol, ou assiste a corridas de Fórmula 1, ou simplesmente já usou um atlas ou fez uma viagem passando por algum aeroporto, já deve ter s deparado com a miríade de bandeiras que são exibidas: de seleções, de países ou estados, de escuderias, de agremiações e clubes, entre muitas outras.

Pois bem, essas bandeiras (e outros itens, como estandartes) são desenhadas e estudadas por pessoas especializadas em um campo chamado Vexilologia. É isso que abordaremos hoje.

Bandeiras de diversos países do mundo.
Bandeiras de diversos países do mundo.

O que é Vexilologia?

Vexilologia é o estudo das bandeiras e estandartes*, tanto do ponto de vista histórico quanto do ponto de vista científico. É uma área que abrange a pesquisa, análise e a classificação de bandeiras de diferentes nações, estados, organizações e grupos.

Além disso, a vexilologia desempenha um papel importante na identidade nacional e na comunicação visual, pois as bandeiras são símbolos importantes de uma nação ou de um grupo.

A vexilologia também envolve a análise de regras e convenções que regem o uso e o protocolo das bandeiras (sim, existem regras e padrões!). Isso inclui questões como a correta exibição de uma bandeira, seu uso em cerimônias, a precedência das bandeiras em eventos oficiais e outras diretrizes relacionadas.

Um termo associado é a palavra Vexilografia, que indica especialmente a prática de desenhar e criar bandeiras. Uma pessoa que pratica a vexilografia é um vexilógrafo. Note que um vexilologista não necessariamente será um vexilógrafo, e vice-versa; é possível ser apenas um estudioso de bandeiras, apenas um designer, ou ambos.

* Bandeiras são símbolos oficiais ou decorativos, enquanto estandartes são bandeiras com formatos específicos (como pontas alongadas ou recortes). Já uma flâmula é um pequeno estandarte ou bandeira, geralmente de formato triangular ou trapezoidal, com uma ponta na extremidade, suspensa por um cordão preso a uma haste.

Reprodução de um Estandarte Romano
Reprodução de um Estandarte Romano (Vexillum ou Vexilo em português). A sigla SPQR significa Senatus Populusque Romanum, ou “O Senado e o Povo de Roma”.

Qual a  importância das bandeiras?

Qual a importância das bandeiras? De acordo com o Flag Institute, organização britânica devotada ao estudo de bandeiras, elas são mais que mera decoração. Elas são símbolos de identidade, representando nações, regiões e organizações; de história, refletindo mudanças culturais, sociais e políticas; e instrumentos de comunicação, ajudando a levar mensagens sem o uso de palavras.

O que é um Vexilologista?

Vexilologistas são as pessoas que estudam as características das bandeiras, como por exemplo seu design, cores, padrões, simbologia e significado. Eles examinam a evolução das bandeiras ao longo do tempo, suas origens históricas, os diferentes estilos e as influências culturais por trás dos elementos visuais presentes nelas.

Os vexilologistas também podem estudar e catalogar bandeiras de todo o mundo, investigando a história e o simbolismo associados a cada uma delas, além de analisar as semelhanças e diferenças entre as bandeiras de diferentes países ou estudar a evolução de uma determinada bandeira ao longo do tempo.

Alguns vexilologistas de destaque incluem:

  • Alfred Znamierowski: Vexilologista nascido na Polônia, fundador do Flag Design Center, membro da FIAV e vencedor do prémio Vexillon da FIAV em 2003. É autor do livro The World Encyclopedia of Flags.
  • George H. Preble: Almirante naval norte-americano e autor, em 1872, do livro History of the American Flag, uma obra dedicada à história da bandeira dos Estados Unidos.
  • Ottfried Neubecker: Vexilologista alemão de destaque, presidente e secretário-geral da FIAV, além de autor da obra Flaggenbuch (“livro de bandeiras”) da marinha alemã, publicado em 1939.
  • Whitney Smith: Um dos nomes mais importantes da vexilologia. Fundou o Flag Research Center, editou o Flag Bulletin, ajudou a fundar a NAVA e ocupou diversos cargos na FIAV e na própria NAVA. Também escreveu várias obras sobre bandeiras, como o livro Flags Through the Ages and Across the World. Criou o termo vexilologia em 1957, usado para designar o estudo acadêmico das bandeiras.
  • William Crampton: Fundador do Flag Institute, autor de obras como The Complete Guide to Flags, que ocupou cargos importantes na FIAV (Federação Internacional das Associações Vexilológicas), incluindo secretário-geral para congressos e presidente.

Etimologia

A palavra “vexilologia” tem sua origem na junção de duas palavras: “vexillum“, que em latim significa um tipo de “bandeira” ou “estandarte” militar, e a palavra grega “logia“, que se refere ao “estudo” ou “ciência” de algo. Portanto, a palavra vexilologia pode ser traduzida literalmente como “o estudo das bandeiras” ou “a ciência das bandeiras”. Ao design de bandeiras propriamente dito, damos o nome de Vexilografia.

A origem do termo remonta ao final do século XIX, quando o designer norte-americano Whitney Smith, um estudioso e pesquisador de bandeiras, cunhou o termo “vexilologia” para se referir ao estudo sistemático e científico das bandeiras. Desde então, o termo se tornou amplamente utilizado e aceito para descrever essa disciplina específica.

Whitney Smith foi um proeminente vexilologista que desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da vexilologia como um campo de estudo formal. Ele fundou a North American Vexillological Association (NAVA) (Associação Vexilológica Norte-Americana) em 1967 e foi um defensor ativo da pesquisa e divulgação de conhecimentos sobre bandeiras.

Flâmula de clube de futebol: Juventus da Mooca
Flâmula de clube de futebol: Clube Atlético Juventus da Mooca

Vexilofilia: Coleção de Bandeiras

A vexilologia também é apreciada como um hobby por muitas pessoas, que se dedicam ao estudo privado, coleção de bandeiras ou ainda à criação de designs originais, como hobby. Neste caso, essas pessoas são às vezes conhecidas como vexilófilos, e o colecionismo de bandeiras, de vexilofilia – mas alguns colecionadores não gostam muito deste termo, por conta da conotação negativa que o sufixo -filia carrega.

Muito comuns no colecionismo de bandeiras são as coleções temáticas, como por exemplo, coleção de bandeiras nacionais (de países), ou bandeiras de organizações militares, ou ainda de clubes de futebol ou outros esportes, entre muitos outros temas interessantes e criativos.

Bandeira do Bairro da Mooca
Bandeira de Bairro: Bairro da Mooca, na cidade de São Paulo

Onde o colecionador pode adquirir bandeiras e estandartes?

É possível comprar bandeiras variadas de forma muito simples pela Internet ou presencialmente, em lojas especializadas e sites de leilões e marketplaces. Duas empresas nacionais que contam com boa variedade em bandeiras e acessórios (como mastros e suportes) e que comercializam on-line são as seguintes:

Vexilologia e Numismática

Como era de se esperar, existem diversas peças numismáticas, entre moedas, cédulas e medalhas, que representam bandeiras e estandartes variados. A mais icônica dessas moedas no Brasil é a moeda de R$ 1,00 da Entrega da Bandeira Olímpica das Olimpíadas do Rio 2016, que pode ser vista na imagem abaixo:

Moeda de R$ 1,00 da Bandeira Olímpica, Olimpíadas Rio 2016
Moeda de R$ 1,00 da Bandeira Olímpica (Rio 2016)

Outra moeda interessante que ilustra uma bandeira é a emissão comemorativa de 2 euros que celebra os 30 anos da bandeira da União Europeia. Abaixo vemos a imagem da versão da moeda emitida pela Bélgica:

Moeda comemorativa dos 30 anos da Bandeira da União Europeia
Moeda da Bélgica, 2 Euros comemorativa dos 30 anos da Bandeira da UE

Existem poucas moedas que representam bandeiras (comparativamente a outras temáticas), provavelmente pelo fato das moedas, no geral, não mostrarem as cores, que são uma das principais características de uma bandeira (ou estandarte). A exceção, claro, fica com as moedas colorizadas, mas elas não emitidas muito esporadicamente, de forma comemorativa, por alguns poucos países.

Já as cédulas são uma outra história. Por serem grandes e permitirem a impressão com qualquer cor desejada, encontraremos diversos modelos que mostram, em maior ou menor grau, representações de bandeiras diversas.

Vejamos alguns exemplos.

Cédula de 5000 rublos da Rússia de 1993
Cédula de 5000 rublos da Rússia de 1993, mostrando no reverso o Kremlin, em Moscou com a bandeira da Rússia hasteada (pós União Soviética), e o valor nominal 5000 РУБЛЕЙ.

 

Cédula de 50.000 livres do Líbano, de 2013
Cédula de 50.000 livres do Líbano, de 2013, comemorativa dos 70 anos do Exército Libanês. No anverso, mostra um soldado carregando a bandeira nacional do Líbano em um mastro, o brasão de armas do país e as silhuetas de dois soldados.

 

Cédula de 7 dólares de Fiji
Cédula de 7 dólares de Fiji, comemorativa da medalha de ouro no Rugby nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. No anverso traz a bandeira das ilhas Fiji, e à frente dela o capitão da equipe Osea Kolinisau correndo com a bola usada na competição.

Pequeno glossário de bandeiras e vexilologia

A seguir temos alguns termos do estudo de bandeiras e afins explicados sucintamente:

Anverso: Face principal da bandeira, normalmente aquela considerada “frontal” ou de apresentação oficial.

Bandeira: Peça de tecido ou material similar, geralmente presa a um mastro ou haste, usada como símbolo de país, instituição, grupo, causa ou autoridade.

Bandeira vertical: Bandeira concebida ou adaptada para exposição em orientação vertical, comum em fachadas, postes urbanos e eventos.

Bandeirola: Pequena bandeira, geralmente usada para sinalização, decoração, identificação ou marcação de locais.

Banner: Peça visual de formato geralmente retangular, usada para divulgação, identificação ou ornamentação; pode ser suspensa, presa em suporte ou exibida verticalmente.

Boldriê: Correia usada a tiracolo para sustentar espada, instrumento, bandeira, estandarte ou outro objeto cerimonial.

Estandarte: Tipo de bandeira cerimonial, frequentemente rígida ou ricamente ornamentada, associada a corporações, irmandades, unidades militares ou instituições.

Flâmula: Bandeira estreita e comprida, muitas vezes triangular ou afilada, usada como sinal distintivo, ornamento ou símbolo de grupo.

Galhardete: Bandeira estreita, comprida e geralmente afilada, muito usada em contextos náuticos, militares, esportivos ou decorativos.

Insígnia: Sinal, emblema ou distintivo que representa cargo, autoridade, instituição, unidade militar, ordem ou pertencimento.

Mastro: Haste, poste ou suporte no qual a bandeira é fixada e hasteada.

Reverso: Face oposta ao anverso da bandeira; em algumas bandeiras, pode repetir o mesmo desenho ou apresentar composição invertida ou diferente.

Talabarte: Correia ou peça de sustentação usada para carregar bandeiras, armas ou instrumentos, especialmente em contextos militares e cerimoniais.

Vexilo: Termo derivado do latim vexillum, usado para designar bandeira, estandarte ou objeto semelhante de representação simbólica.

Vexilografia: Área voltada ao desenho, criação e composição visual de bandeiras.

Vexilófilo: Pessoa que coleciona, aprecia ou tem interesse especial por bandeiras.

Vexilologia: Campo de estudo dedicado às bandeiras, sua história, simbolismo, uso, desenho e classificação.

Conclusão

No geral, a vexilologia é um campo bem interessante e um tanto quanto “diferente”, que combina elementos de história, design, simbologia e cultura, e que nos permite entender melhor o significado por trás das bandeiras que nos cercam e apreciar a diversidade e riqueza desse importante aspecto da identidade humana.

Hoje em dia, é reconhecida como uma disciplina acadêmica e um campo de estudo bastante respeitado, que atrai pesquisadores, entusiastas e colecionadores interessados na história, simbologia e design das bandeiras e estandartes.

Bandeira quadriculada na Fórmula 1
Bandeira quadriculada, que indica o final de uma corrida de Fórmula 1.

Bibliografia e Referências

*Todas as imagens: licença CC BY-NC-SA 4.0

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