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InvestimentosMetais e Ligas

Investir em Cobre: Vale a Pena?

Investimento em Cobre

O cobre é um elemento químico e um metal básico comum e bastante conhecido por sua cor laranja-avermelhada característica. Na tabela periódica, é representado pelo símbolo Cu e encontra-se no mesmo grupo que os metais preciosos ouro e prata, sendo que os três figuram entre os primeiros elementos descobertos pela humanidade por ocorrerem naturalmente em forma elementar. É, também, o 26º elemento mais abundante na crosta terrestre.

Em sua forma pura, o cobre é macio, incrivelmente maleável e possui uma altíssima condutividade térmica e elétrica. Trata-se, de fato, do metal não precioso com a maior capacidade de condução de energia existente, atrás da prata e do ouro. A relação do metal com o desenvolvimento da humanidade é muito antiga; o seu uso em ferramentas remonta a 5.500 a.C., enquanto os primeiros registros de ornamentos feitos com o metal datam de até 8.000 a.C..

Quais países possuem as maiores reservas mundiais de cobre?

Nosso vizinho Chile é o país que possui as maiores reservas mundiais de cobre, com um volume estimado em impressionantes 190 milhões de toneladas métricas. O país lidera o ranking global abrigando megajazidas como as de Chuquicamata e Escondida.

Logo atrás do Chile, o Peru e a Austrália ocupam o segundo e o terceiro lugares, respectivamente, entre as maiores reservas exploradas do planeta.

Além desses líderes, os Estados Unidos e a Rússia também abrigam reservas bastante significativas do metal.
Em termos de produção, o maior produtor de cobre do mundo atualmente é a China, seguida do Chile e do Congo. A tabela a seguir mostra os dez maiores produtores de cobre do mundo na atualidade.

Maiores produtores de cobre do mundo, em toneladas.
Maiores produtores de cobre do mundo, em toneladas. Fonte: World mineral statistics data. MineralsUK

Atualmente o Brasil ocupa a 26ª posição na produção mundial de cobre, atrás da Bélgica e logo à frente do Panamá.

Principais Aplicações do Cobre

Devido à sua versatilidade e propriedades indispensáveis, o cobre é o terceiro metal mais consumido no mundo, atrás apenas do ferro e do alumínio. Suas principais aplicações incluem:

  • Construção civil: É a maior aplicação do cobre mundialmente, consumindo quase metade de todo o fornecimento global. O metal é empregado nas tubulações de encanamento, fiações residenciais, sistemas de aquecimento e eletrodomésticos.
  • Eletrônica e equipamentos: O segundo maior mercado absorve o cobre para a fabricação de placas de circuito, motores, chips semicondutores e fiação de dispositivos de consumo, como computadores e celulares.
  • Tecnologia e Energia Verde: O cobre é considerado crítico para o desenvolvimento futuro da sociedade, sendo a espinha dorsal de infraestruturas de expansão da inteligência artificial (usado em data centers), da fabricação de veículos elétricos e da geração de energias renováveis, como turbinas eólicas e painéis solares.

O cobre também é 100% reciclável: Uma das propriedades mais notáveis do cobre é sua capacidade de ser infinitamente reciclado, podendo ser reaproveitado diversas vezes sem perder qualquer parte do seu desempenho ou qualidade original.

No mercado financeiro, a importância do metal é tão forte que ele foi apelidado pelos economistas de “Doutor Cobre” (Dr. Copper). Esse apelido reflete a reputação do metal de atuar como um “termômetro” preciso; como o cobre está presente em quase todos os setores produtivos industriais, a alta ou a queda em sua demanda serve como um excelente maneira de medir a saúde geral e o crescimento da economia global.

Apesar de ser considerado uma commodity de terceira linha para reserva de valor quando comparado ao ouro e a prata, o cobre é muito valorizado pela sua imensa utilidade prática, sendo um dos materiais mais importantes de todas as grandes economias modernas e nações em desenvolvimento.

Com todas essas qualidades, será que fazer investimentos em cobre, como fazemos comumente com metais preciosos como ouro, prata e platina, vale a pena? Vejamos.

Formas de Investimento em Cobre

Existem diversas maneiras de se investir em cobre (e em outros metais também), sendo as principais formas de investimento disponíveis atualmente:

Ações de Mineradoras

Compra de ações de empresas de capital aberto envolvidas na exploração, extração e comercialização do metal, ganhando com a valorização dos papéis e pagamento de dividendos. Provavelmente a forma mais comum e segura.

ETFs e ETCs

Fundos negociados em bolsa que oferecem diversificação. Podem ser compostos por uma cesta de ações de dezenas de mineradoras de cobre e outros metais ou atrelados a contratos futuros para acompanhar diretamente o preço da commodity

Contratos Futuros

Negociados em grandes bolsas (como a COMEX e a LME), são acordos para comprar ou vender uma quantidade específica de cobre a um preço predeterminado no futuro, permitindo lucrar com as oscilações do mercado

Cobre Físico

Aquisição do metal tangível, o que inclui a compra de barras (lingotes), moedas, rounds, medalhas ou ainda o acúmulo de sucata industrial e fiações (muito comum em reciclagem).

Vejamos com mais detalhes cada uma dessas formas para entender suas vantagens, desvantagens e decidir como investir (ou não) nesse metal industrial.

Ações de Mineradoras

Investir em ações de empresas mineradoras de cobre é considerada uma das formas mais eficientes e diretas para se expor ao mercado deste metal, eliminando completamente as dores de cabeça logísticas e os prêmios exorbitantes associados à compra do cobre físico.

As ações das empresas de mineração geralmente acompanham de perto os movimentos do preço à vista (spot) do cobre no mercado global. Ao contrário do metal físico, que depende exclusivamente da valorização do preço para gerar lucro, investir em mineradoras permite ganhar tanto com a valorização das ações (ganho de capital) quanto através do recebimento de dividendos pagos por essas corporações.

Além disso, os títulos mobiliários são negociados em bolsas centralizadas, o que os torna ativos de alta liquidez. Também podem ser usados como garantia para empréstimos e transferidos facilmente como herança.

Exemplos de gigantes do setor: O mercado conta com empresas sólidas e globais que exploram vastas reservas de cobre. Algumas das principais incluem a Freeport-McMoRan (EUA; NYSE: FCX), BHP (Austrália), Southern Copper (do Grupo México), Glencore (Suíça), Vale (Brasil), Antofagasta (Chile) e Rio Tinto.

Riscos e Desafios

Ao comprar ações de uma mineradora, sucesso do investimento não dependerá apenas da alta do preço do cobre, mas também do desempenho corporativo e operacional da empresa escolhida. O preço dessas ações é afetado por vários fatores, como:

Variáveis operacionais: O volume efetivo de produção e os custos operacionais das minas, como os preços da energia e combustível, além da disponibilidade de água e mão de obra, impactam os lucros da mineradora.

Riscos geopolíticos e ambientais: A mineração está fortemente sujeita a leis locais. Países líderes em produção, como Chile e Peru, podem passar por instabilidades políticas, greves trabalhistas e endurecimento das regulações ambientais (como as exigências de classificações ESG), que podem encarecer ou até interromper o fornecimento.

Ciclos macroeconômicos: Por ser um metal estritamente industrial, o lucro das mineradoras é muito sensível à saúde da economia global. Durante recessões, a demanda industrial cai significativamente, derrubando o valor das ações.

É possível investir nas maiores mineradoras de cobre do mundo diretamente aqui do Brasil usando BDRs (certificados em reais na B3) ou por meio de uma conta de investimentos internacional (em dólares).

Como investir no Brasil: Na B3 através de BDRs como FCXO34 (Freeport-McMoRan), BHGP34 (BHP Group) e RIOT34 (Rio Tinto).

Caso se deseje investir no setor de mineração sem assumir os riscos individuais de escolher uma única empresa (como acidentes em minas locais ou má gestão), uma outra estratégia recomendada é o uso de ETCs e ETFs (Fundos de Índice) focados em produtoras de cobre. É o que veremos na sequência.

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Dissipador de Calor de Cobre para CPU de Computador

ETFs e ETCs

Instrumentos financeiros como os ETFs e ETCs oferecem uma maneira indireta, prática e acessível de investir no mercado de cobre. Em vez de comprar o metal tangível ou escolher ações de empresas individuais, você adquire cotas de um fundo que investe de forma diversificada em uma cesta de ativos relacionados ao metal.

Mas o que são ETF e ETC?

ETFs (Exchange Traded Fund / Fundo Negociado em Bolsa) são fundos que investem em uma cesta ampla de ações ou títulos, enquanto os ETCs (Exchange Traded Commodity / Commodities Negociadas em Bolsa) são títulos de dívida focados em uma única matéria-prima ou commodity física, como o cobre.

Vejamos como é o investimento em cobre usando essas modalidades.

ETFs de Mineradoras de Cobre

Estes fundos agregam os ativos de dezenas de empresas globais envolvidas na mineração, exploração e refino de cobre. O preço desses ETFs varia de acordo com as cotações do cobre, mas também é impactado pelo mercado de ações global e pelo desempenho operacional das companhias que compõem o fundo.

Eles proporcionam diversificação automática, minimizando bastante os riscos em comparação com a compra de ações de uma única mineradora. Possuem alta liquidez, permitem começar com pouco capital e, em geral, cobram taxas de gestão baixas (cerca de 0,5% ao ano), além de poderem distribuir dividendos..

Alguns fundos incluem:

  • Global X Copper Miners ETF (COPX): É o maior e mais líquido ETF do setor no mercado americano. Ele replica o desempenho de mais de 40 mineradoras globais, como a Freeport-McMoRan, BHP Billiton e Southern Copper. No Brasil, está disponível para investidores locais através do BDR de ETF com o ticker BCPX39 na B3.
  • iShares Copper and Metals Mining ETF (ICOP): Uma alternativa gerida pela BlackRock que foca em mineradoras globais com uma taxa de administração ligeiramente mais barata (0,47% ao ano).
  • Sprott Copper Miners ETF (COPP): Fundo que combina ações de grandes produtoras de cobre com uma alocação direta no Sprott Physical Copper Trust, mesclando a tese de empresas com o metal físico.

ETCs de Contratos Futuros

Já estes fundos focam diretamente na variação do preço da commodity. Eles investem o capital do fundo em contratos futuros de cobre, acompanhando índices bolsistas de referência (como os negociados na COMEX ou LME). Permitem aos investidores lucrarem diretamente com a subida ou queda (venda a descoberto) do preço do metal industrial, mas eliminam a complexidade de gerenciar contas de margem e garantias normalmente exigidas ao se operar contratos futuros, e não pagam dividendos

Exemplos incluem:
  • WisdomTree Copper (COPA): Listado em bolsas europeias (como a London Stock Exchange), é o maior e mais tradicional veículo de investimento direto em cobre. Ele utiliza estruturas de swaps garantidas por colateral para replicar o índice Bloomberg Copper Subindex.
  • United States Copper Index Fund (CPER): Negociado no mercado americano, funciona de forma muito similar a um ETC, comprando uma cesta de contratos futuros de cobre da COMEX para simular o preço spot do metal.
  • WisdomTree Copper – EUR Daily Hedged (ECOP): Uma variação europeia idêntica ao COPA, mas com proteção cambial (hedge) para o Euro, minimizando as flutuações do dólar americano sobre o investimento

Apesar da facilidade operacional destes ativos listados em bolsa, é sempre importante lembrar que os fundos de futuros estão altamente expostos à volatilidade e especulação do preço exato do cobre e a custos de rolagem de contratos. Já os fundos de mineradoras protegem um pouco dessa volatilidade, mas podem ser mais sensíveis aos ciclos da economia global.

Estando no Brasil, é possível investir nesses ativos de duas formas: diretamente pela B3 (usando uma corretora nacional), como é o caso do BDR BCPX39 citado acima (Global X Copper Miners ETF). Os demais ativos (ICOP, COPP, CPER, COPA) não possuem BDRs listados na B3. Nesse caso você precisará abrir conta em corretoras de investimentos que dão acesso direto ao exterior. Idem para as ações de mineradoras citadas na seção anterior.

Investimento em Cobre Físico

Investir em cobre físico (como barras, moedas ou sucata) é uma forma muito simples de investimento no metal, que em muitos casos dispensa até mesmo o uso de uma corretora especializada, mas isso vai depende muito do perfil e objetivos do investidor. No entanto, de modo geral, considero que investir em cobre físico é bastante impraticável ou ineficiente do ponto de vista estritamente financeiro.

Porque? Por conta dessas desvantagens:

Prêmios (ágios) altíssimos sobre o preço real

O preço de mercado (spot) do cobre geralmente é reservado para compras em grande quantidade em nível industrial (como cargas de caminhões para fábricas e infraestrutura). Ao comprar produtos de cobre físico processado (como moedas ou barras), o investidor comum paga prêmios que podem chegar a 300% acima do preço à vista, ou ainda custar até cinco vezes mais do que o valor real do metal. Esse valor extra reflete os custos de fabricação, design e uma “penalidade” por não estar comprando no atacado.

Dificuldades e custos de armazenamento

Ao contrário do ouro ou da prata, o cobre tem uma relação valor-peso muito baixa. Para obter um valor significativo em dinheiro, é preciso acumular toneladas de cobre (por exemplo, é necessário cerca de 102 kg de cobre para somar aproximadamente US$ 1.000,00 no valor de mercado). Isso gera custos altíssimos de armazenamento, transporte, segurança e seguros, o que corrói os lucros do investidor.

Custos ocultos e riscos extremos

Na hora de vender seu cobre físico armazenado, você poderá se deparar com taxas de corretagem e impostos que diminuem ainda mais seu lucro. Além disso, em casos de crises severas de abastecimento de metais básicos (como no caso de uma guerra), existe até mesmo o risco teórico de governos embargarem ou confiscarem o metal.

Vantagens

Ainda assim, existem algumas vantagens de se acumular cobre físico:

Colecionismo e Acessibilidade: Moedas e as barras de cobre podem ser uma opção acessível, fácil e de baixo risco financeiro para iniciantes que desejam se familiarizar com a compra de metais. Muitos compradores são atraídos pela beleza estética de uma moeda de cobre perfeitamente cunhada e conservada

Posse Direta: Possuir o cobre tangível dá o controle direto do ativo sem depender de bancos, fundos ou intermediários financeiros.

Sucata industrial: A única forma física em que o cobre é frequentemente considerado lucrativo é na coleta de sucata (como fiações desencapadas limpas e encanamentos), desde que seja possível adquirir ou recuperar grandes volumes. Falarei um pouco mais sobre sucata de cobre na próxima seção.

Compra em volume reduz custos: Se realmente se deseja comprar barras ou moedas, a melhor forma de minimizar os altos prêmios é comprar as maiores barras disponíveis (como barras de 10 kg em vez de moedas que pesam gramas).

Portanto, apesar da demanda pelo cobre estar em alta expansão global, impulsionada por veículos elétricos, data centers de inteligência artificial e transição para energias renováveis, comprar o metal fisicamente raramente é a melhor rota.

Sendo assim, para lucrar com a valorização do cobre no longo prazo, a opção recomendada pela maioria dos especialistas é explorar investimentos indiretos, como a compra de ações de empresas de mineração, ETFs ou contratos futuros. Esses métodos eliminam as dores de cabeça do armazenamento e os sobrepreços enormes da fabricação do itens de metal.

Mas e a sucata de cobre? Vale a pena?

Coletar sucata de cobre é normalmente considerada a única forma de posse física do metal que realmente vale a pena, mas o sucesso dessa empreitada depende de alguns fatores importantes.
Alguns pontos que devem ser considerados para saber se a sucata de cobre valerá a pena incluem:

Volume é fundamental

O cobre possui uma relação valor-peso muito baixa, o que significa que você vai precisar de quantidades muito grandes para obter um lucro significativo.

Calculando o lucro

Considerando que o preço de mercado do cobre costuma oscilar entre US$ 8,00 e US$ 9,00 por kg, seria necessário acumular mais de 10 kg do metal para conseguir fazer em torno de US$ 1.000.

Tipo e qualidade da sucata

O valor recebido na venda depende diretamente do tipo de sucata e de como ela é organizada, sendo essencial manter os diferentes tipos de cobre separados.

  • Maior valor: Fios de cobre desencapados e limpos (conhecidos no Brasil como “Cobre Mel”, sem tinta ou oxidação) e tubos de cobre de primeira linha (como canos de encanamento) são os que pagam os valores mais altos.
  • Menor valor: Sucatas misturadas, oxidadas, pintadas ou “picadas” perdem bastante o seu valor de mercado.

Acesso a fontes industriais

A coleta geralmente só compensa se for possível garimpar grandes volumes de sucata industrial, como tubos de encanamento e fiações de bitola grossa.

Resumindo, se houver acesso facilitado a grandes quantidades de entulho de construção, fiação industrial ou sobras de encanamento e disposição para limpar e separar o material, a sucata de cobre pode ser um bom negócio. No entanto, juntar pequenas quantidades esporádicas pode não compensar o trabalho e o espaço de armazenamento exigido.

Sucata de Fios de Cobre
Sucata de fios de cobre decapados. Foto do autor.

Quais são os tipos de sucata de cobre mais valiosos?

Os tipos de sucata de cobre mais valiosos e que garantem os maiores pagamentos são os fios de cobre nu e brilhante, que são fios de cobre totalmente limpos, sem nenhum tipo de revestimento, tinta ou oxidação, e tubos de cobre, como canos de cobre de alta qualidade, daqueles geralmente utilizados em encanamentos, que também estejam limpos e sem impurezas.

Por outro lado, como citado anteriormente, sucatas de cobre que estejam misturadas com outros materiais, oxidadas, pintadas ou “picadas” têm um valor de mercado muito inferior.

E as moedas de cobre como investimento?

Investir em moedas de cobre pode parecer um bom negócio, afinal moedas são usadas como investimento por muitas pessoas. Porém, especificamente as moedas de cobre carregam as mesmas ineficiências financeiras de outras formas de cobre físico. Se o seu objetivo é estritamente o retorno financeiro, temo dizer que as moedas não são a melhor opção, mas certamente elas têm grande destaque no mundo do colecionismo (eu mesmo coleciono moedas de cobre de temáticas variadas, como cobres do Brasil Colônia e Império).

De qualquer forma, existem alguns pontos importantes a considerar sobre moedas e medalhas de cobre para investimento, como por exemplo:

Prêmios (ágios) muito altos

Quando você compra moedas de cobre, está pagando um valor significativamente maior do que o preço de mercado (spot) do metal puro. Esse custo extra cobrado pelas revendedoras reflete o processamento, o trabalho humano no design da cunhagem e o fato de você não estar comprando as toneladas comercializadas no atacado industrial. Na verdade, os prêmios costumam ser ainda mais agressivos em itens menores, como moedas de 1 onça, do que na compra de barras maiores.

Logística e armazenamento

Devido ao baixo valor do cobre em relação ao seu peso, armazenar uma quantia que represente um valor financeiro relevante exige muito espaço físico, o que torna a logística complexa e custosa em comparação ao ouro ou a prata.

O fim das moedas de circulação

Na maioria dos lugares do mundo, como nos Estados Unidos, o custo do cobre usado em moedas como o penny (equivalente ao centavo) ultrapassou o próprio valor de face da moeda, forçando a fabricação a migrar para o zinco, utilizando o cobre apenas como um fino revestimento superficial, ou ainda simplesmente abolindo a denominação de circulação.

Moeda do Brasil, 40 Réis de Cobre
Moeda do Brasil, 40 Réis de Cobre (“2 Vinténs”), D. Pedro I, circulante entre 1823 e 1831.

Vantagens e os motivos pelos quais as pessoas compram

Ainda assim, podemos considerar algumas vantagens em investir em moedas de cobre, como a acessibilidade para iniciantes: As moedas de cobre oferecem uma excelente porta de entrada no mercado de metais físicos, sendo uma opção barata, fácil e de baixo risco para quem deseja começar a montar um portfólio tangível sem comprometer muito capital.

Além disso, existe o apelo à beleza estética e o colecionismo em si, pois vários designs de moedas cobre são realmente muito bonitos. Uma moeda de cobre perfeitamente cunhada possui uma cor e apresentação visual únicas, atraindo colecionadores que compram as peças puramente pela sua beleza, além do valor histórico que elas podem carregar.

Em suma, se você busca uma forma de colecionar itens bonitos ou quer iniciar no mundo dos metais físicos gastando pouco (ciente de que o lucro é muito difícil), as moedas de cobre são uma escolha muito interessante. Contudo, se a intenção for aproveitar o aumento da demanda global do cobre de forma eficiente, investir em ETFs, ações de mineradoras ou fundos como os já discutidos anteriormente continua sendo a estratégia recomendada pelos especialistas.

E barras e rounds de cobre como investimento?

Assim como as moedas, as barras e os rounds de cobre enfrentam os mesmos grandes obstáculos financeiros, sendo mais recomendados como um hobby de colecionador do que como um investimento focado em gerar lucros.

Elas também sofrem do problema dos prêmios (sobrepreços) elevados, sendo esta provavelmente a maior desvantagem do investimento neste tipo de cobre físico.

Ao comprar uma barra ou round de cobre no varejo, você está pagando o custo do metal somado a altos custos de processamento, mão de obra empregada na cunhagem/design e uma espécie de “penalidade” por não estar comprando no atacado. Como resultado prático, uma barra de cobre de 1 kg pode chegar a ser vendida por até cinco vezes mais do que o seu valor real (de derretimento) no mercado.

Mas se você ainda assim deseja investir no metal tangível nestes formatos, a principal regra para economizar e fugir das piores taxas é comprar em volume. Os prêmios cobrados pelas revendedoras tendem a ser consideravelmente menores em produtos grandes, como barras de 10 kg, em comparação com os pequenos rounds de 1 onça. Além disso, comparar preços em diferentes fornecedores e aproveitar descontos para compras em grandes quantidades ajudará a maximizar o seu dinheiro (como em qualquer negociação).

Round de Cobre
Round de Cobre de 1 oz., mostrando a Lady Liberty da Estátua da Liberdade. Imagem: JM Bullion

Por fim, não se pode ignorar o volume físico do cobre. Mesmo em formato de barras organizadas, o metal tem uma proporção de valor por peso muito baixa. Para armazenar uma quantia que represente um valor financeiro considerável, você precisará de um espaço físico significativo, o que torna sua gestão muito mais difícil do que possuir barras de ouro ou prata, que além de terem valor de mercado muito maior que o cobre, ainda são mais pesados (tem maior densidade), o que faz com que para o mesmo peso ocupem volumes menores.

Sendo assim, barras e rounds são excelentes peças de coleção, assim com as moedas, mas as pesadas margens de lucro dos revendedores para fabricar esses itens praticamente eliminam a viabilidade de lucrar apenas com a valorização natural da commodity.

Conclusão

O cobre é sem dúvidas um ativo estratégico e promissor para o futuro, impulsionado pela transição para energias verdes, proliferação de veículos elétricos e rápida expansão de data centers de inteligência artificial. Projeções indicam que a demanda global pelo metal pode chegar a bater recordes ou até dobrar até 2035, o que, somado à limitação da oferta de novos projetos de mineração, cria um cenário favorável para valorizações. No entanto, por ser estritamente industrial, ele é altamente sensível à saúde da economia global (especialmente à demanda da China), o que resulta em alta volatilidade.

Com base nas análises de mercado (ver os links nas referências no final do artigo), deixo algumas recomendações para quem deseja investir no metal:

  • Evite o metal físico se o foco for estritamente financeiro: Comprar barras, medalhas ou moedas de cobre no varejo envolve o pagamento de prêmios que podem chegar a mais de 300% do valor real do metal no mercado de commodities, além de gerar custos e dores de cabeça consideráveis com armazenamento e logística. Essa rota é recomendada majoritariamente para colecionadores atraídos pela estética do metal, história numismática das peças ou para pessoas com acesso direto a imensos volumes de sucata industrial.
  • Priorize investimentos indiretos, como Ações e ETFs: A maneira mais eficiente, líquida e barata de se expor ao mercado de cobre é através do mercado financeiro. Especialistas recomendam comprar ações de empresas globais de mineração (como BHP, Freeport-McMoRan e Vale) ou investir em ETFs (Fundos de Índice), como o de mineradoras (COPX) ou os focados em contratos futuros (CPER). Esses métodos oferecem fácil entrada, liquidez e a possibilidade de ganhar até com o pagamento de dividendos corporativos.
  • Ajuste o instrumento ao seu horizonte de tempo: Se a sua visão é de longo prazo, visando o aumento estrutural da demanda global, ações e ETFs são os veículos ideais. Por outro lado, se você é um trader de curto prazo disposto a lidar com a volatilidade para obter retornos rápidos, o uso de contratos futuros ou CFDs (Contratos por Diferença) pode ser o melhor caminho.
  • Limite a exposição e diversifique: Diferente do ouro, o cobre sofre quedas acentuadas durante recessões econômicas, tornando este mercado inadequado para investidores muito conservadores ou avessos ao risco. O investimento em cobre deve compor apenas uma fração de uma estratégia equilibrada; como regra geral, especialistas aconselham que as commodities representem, no máximo, 5% do seu portfólio total de investimentos.

Referências

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