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14 Curiosidades sobre o Metal Plutônio

14 Curiosidades sobre o Plutônio

Metal Plutônio Características

O plutônio é o elemento químico de número atômico 94 na tabela periódica, com símbolo Pu. Trata-se de um metal altamente radioativo pertencente à série dos actinídeos (que compreende os elementos de 89 a 102). O plutônio puro metálico tem cor cinza-prateada, porém brilha em um tom vermelho alaranjado no escuro devido ao calor gerado pela queima de seu óxido (é um material pirofórico).

Imagem: Radioisotope thermoelectric generator plutonium pellet, de Los Alamos National Laboratory.
Imagem: Radioisotope thermoelectric generator plutonium pellet, de Los Alamos National Laboratory. Livre para uso.

Dados gerais sobre o Plutônio

  • Nome: Plutônio
  • Símbolo: Pu
  • Número atômico: 94
  • Massa Atômica: 244 (isótopo mais estável)
  • Ano da descoberta: 1940
  • Aparência: Metal sólido em temperatura ambiente, de cor cinza-prateada, que se oxida rapidamente no ar, ficando cinza escuro
  • Família: Actinídeos
  • Configuração eletrônica: [Rn] 5f6 7s2
  • Densidade (g/cm3): 19,84
  • Ponto de fusão (K): 914 K (640,85 °C)
  • Ponto de ebulição (K): 3505 K (3231,85 °C)
  • Raio Atômico (pm): 151
  • Raio Iônico: 93 (+4e) 108 (+3e)
  • Calor de Fusão (kJ/mol): 2,8
  • Calor de evaporação (kJ/mol): 343,5
  • Primeira Energia Ionizante (kJ/mol): 491,9
  • Estados de oxidação: 6, 5, 4, 3
  • Estrutura cristalina: Monoclínica

Curiosidades sobre o plutônio

Vejamos agora alguns fatos e curiosidades interessantes sobre o plutônio.

  1. Todos os isótopos de plutônio são radioativos. O isótopo mais estável é o Pu-239, cuja meia-vida é de 24.360 anos.
  2. O elemento foi produzido sinteticamente pela primeira vez pelos cientistas Glenn T. Seaborg, Edwin M. McMillan, J.W. Kennedy, Emilio Segrè e A.C. Wahl na Universidade da Califórnia em Berkeley entre dezembro de 1940 e fevereiro de 1941. Eles divulgaram a descoberta do elemento, além do nome e símbolo propostos em um paper para a revista científica Physical Review, porém a publicação foi adiada por motivos de segurança, pois se tornou evidente que o metal poderia ser empregado para o desenvolvimento de uma bomba nuclear por nações inimigas.
    A descoberta do elemento foi mantida em segredo até depois da Segunda Guerra Mundial.
  1. Óxido de plutônio se forma espontaneamente na superfície do material quando exposta ao ar. Esse óxido é um material pirofórico (entra em combustão espontaneamente), de modo que amostras de plutônio podem emitir um brilho na cor vermelha quando essa camada de óxido queima ao ar. O plutônio é um dos poucos elementos radioativos que “brilham no escuro”, apesar de seu brilho ser proveniente desse calor gerado pela queima de sua superfície oxidada e pulverizada.
  2. Existem seis alótropos do plutônio. Também há um sétimo alótropo formado em altas temperaturas. Cada um desses alótropos possui uma estrutura cristalina e densidade diferente. O metal muda de uma forma alotrópica para outra com certa facilidade, o que faz com seja um metal difícil de trabalhar. Fazer ligas do elemento com outros metais (como o cobre, alumínio, cério, gálio) facilita eventuais trabalhos de usinagem e soldagem do material.
  3. O plutônio exibe diversos estados de oxidação diferentes e coloridos quando em solução aquosa. Esses estados de oxidação no geral não são estáveis, e soluções de sais de plutônio podem mudar espontaneamente os estados de oxidação e se apresentar, assim com cores diferentes.
    As cores dos estados de oxidação são as seguintes:
    • Pu(III) é violeta.
    • Pu(IV) é marrom dourado.
    • Pu(V) é rosa pálido.
    • Pu(VI) é laranja-rosado.
    • Pu(VII) é verde. Este estado de oxidação não é comum.
  1. Ao contrário da maioria das substâncias, o plutônio aumenta de densidade à medida que se funde (a água também se comporta assim!). O aumento em sua densidade chega a cerca de 2,5%. Além disso, em temperaturas próximas ao seu ponto de fusão, o metal liquefeito também exibe viscosidade e tensão superficial acima do normal para um metal.
  2. Uma aplicação muito importante do plutônio é em geradores termoelétricos de radioisótopos, que são usados ​​para alimentar naves espaciais. Um exemplo são as famosas naves espaciais Voyager I e Voyager II, que usam uma bateria de Plutônio-238.
Bateria termelétrica de Plutônio das espaçonaves Voyager
Bateria termelétrica de Plutônio das espaçonaves Voyager
  1. O plutônio e seus compostos são altamente tóxicos e tendem a se acumulam na medula óssea. À medida que o elemento decai, ele libera radiações alfa, beta e gama. Tanto a exposição aguda quanto a longa podem resultar em doença de radiação, câncer e levar à morte. A inalação de plutônio e seus compostos aumenta consideravelmente o risco de câncer de pulmão. O plutônio não desempenha nenhum papel biológico conhecido em nenhum organismo.
  2. O plutônio é usado como explosivo em armas nucleares, como a bomba de testes Trinity e a bomba nuclear Fat Man, lançada na cidade de Nagasaki em 09 de agosto de 1945. A detonação de cerca de 6,2 kg de plutônio produz uma explosão igual à produzida por algo em torno de 20.000 toneladas de TNT (trinitrotolueno). O plutônio é também um importante combustível para a indústria nuclear, e é empregado na síntese de outros elementos, como metais mais pesados.
  3. Alguns acidentes de criticidade (acúmulo de massa crítica) envolvendo plutônio já ocorreram. A quantidade de plutônio necessária para a massa crítica é cerca de um terço da necessária para o urânio-235. Dois exemplos históricos incluem as mortes dos cientistas Harry Daghlian e Louis Slotin, em 1945 e 1946 respectivamente, nos laboratórios de Los Alamos, nos EUA. Não há registros de mortes por intoxicação por plutônio.
Bomba Fat Man sendo baixada e verificada no carrinho de transporte para a viagem ao campo de decolagem
Bomba Fat Man sendo baixada e verificada no carrinho de transporte para a viagem ao campo de decolagem (Imagem: Atomic Heritage Foundation)
  1. O plutônio é quente ao toque. O metal se aquece mesmo na ausência de oxigênio por conta de sua radioatividade. O calor é gerado pelo decaimento alfa, que libera em torno de de 9,68 watts de potência em uma amostra de 5 kg do metal.
  2. O nome do elemento segue uma tendência da época de nomear elementos com nomes relativos a planetas exteriores do Sistema Solar. Antes do plutônio, temos na tabela periódica os elementos Urânio (92) e Neptúnio (93), e assim naturalmente o metal foi nomeado de acordo com o próximo planeta, Plutão (que hoje é considerado um planeta-anão).
  3. O plutônio não é um bom condutor de eletricidade nem de calor, ao contrário da maioria dos metais.
  4. O plutônio ocorre naturalmente na Natureza (na crosta terrestre), estando presente em minérios de urânio, porém é muito raro. A principal fonte do elemento é a síntese artificial que ocorre em reatores nucleares que usam o urânio-238.

O Plutônio na Numismática

Em 2003, a República da Libéria lançou uma moeda comemorativa para relembrar o primeiro teste de explosão de uma bomba nuclear, a Trinity, desenvolvida no Projeto Manhattan (EUA), e que utilizava como material físsil o Plutônio. O teste foi executado na segunda-feira 16 de julho de 1945 perto de Alamogordo, no Novo México (EUA).

No reverso, a moeda traz os bustos de Robert Oppenheimer e Harry S. Truman, olhando para a frente, e uma explosão nuclear à direita dos bustos, com a inscrição “HISTORY OF AMERICA • FIRST ATOMIC BOMB TEST 1945”. No anverso, o brasão de armas da Libéria e a data de 2003, com a legenda “REPUBLIC OF LIBERIA / THE LOVE OF LIBERTY BROUGHT US HERE”.

Outra bomba atômica de plutônio foi lançada sobre a cidade de Nagasaki, no Japão, em 09 de agosto do mesmo ano (batizada como “Fat Man”); anteriormente, em 06 de agosto, fora detonada a bomba “Little Boy” sobre a cidade de Hiroshima.

Moeda da Libéria, 20 dollars de 2003, comemorativa da primeira explosão nuclear (bomba de plutônio).
Moeda da Libéria, 20 dollars de 2003, comemorativa da primeira explosão nuclear (bomba de plutônio).

Especificações da Moeda

  • País: Libéria
  • Denominação: Dólar da Libéria (LRD)
  • Valor facial: 20 dólares
  • Material: Prata .925
  • Peso: 20 g
  • Ano de emissão: 2003
  • Diâmetro: 40 mm
  • Qualidade: Proof
  • Referência: KM# 1534

Referências

  • Emsley, J. (2011). Nature’s Building Blocks: An A-Z Guide to the Elements. Oxford University Press. ISBN 978-0-19-960563-7.
  • Enghag, P. Encyclopedia of the Elements. 1ª ed. 2004. Wiley-VCH
  • Gray, T. The Elements – A Visual Exploration of Every Known Atom in the Universe. 1ª Edição. 2009. Black Dog & Leventhal Publishers.
  • Green, D. The Periodic Table in Minutes: The elements and their chemistry explained in an instant. 1ª Edição. 2016. Ed. Quercus
  • Jackson, T.; Challoner, J. The Periodic Table Book – A Visual Encyclopedia of the Elements. 1ª Ed. 2017. Dorling Kindersley Ltd.
  • PubChem. Plutonium. https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/element/94. National Library of Medicine.

 

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